Hoje eu estou vivendo uma experiência nova, uma excursão com a escola, o Centro Educacional Pioneiro, de onde saí com meus professores Fernando, Virgína, Simone e Hiakuna e meus colegas para a cidade de Iperó hoje, pontualmente às 8 da manhã, para estudar a cidade que vamos visitar. No começo eu não estava muito animada, o tempo estava fechado e eu não queria que esfriasse...

No começo a paisagem urbana não apresentava nada de novo, então eu ainda me sentia em casa. Em alguns momentos passamos por edifícios caros, em outros vimos favelas. Fiquei indignada com a desigualdade social no nosso país, em observar como algumas pessoas possuem tão poucos recursos financeiros e outras têm tão mais do que precisam. Estamos novamente em ano de eleição, e sinto que as coisas vão continuar assim...

 Fui sentada num discreto ônibus amarelo com a minha professora Virgínia e conversamos durante toda a viagem. Isso me deixou mais animada, e o tempo também começou a abrir. A paisagem foi ficando mais rural, começou a aparecer vegetação e animais, então eu já não estava desanimada, mas anciosa.

 Me senti completamente estranha ao lugar onde eu estava. Era tão diferente do que eu estava acostumada, que eu quase não acreditei que estava ali pessoalmente, vendo aquelas paisagens que pareciam fotografias. Cada vez que eu via um humano me sobressaltava, e ficava imaginando como aquelas pessoas viviam. Senti o quanto aquela realidade me era estranha, e que estava me aproximando do que os professores queriam que eu fizesse: olhar as coisas com curiosidade, e entender realidades diferentes da minha.

 Quanto mais nos aproximávamos do nosso destino, mais eu via lixo jogado no chão, e comecei a reparar que boa parte desse lixo era propaganda eleitoral. Isso me deixou muito nervosa, pois se os candidatos não se importavam em emporcalhar o lugar antes de ganhar as eleições, o que eles farão se forem eleitos?

 Enfim chegamos ao nosso destino, me pareceu bem humilde. Estranhei um tipo de árvore que me pareceu que não deveria estar ali, e mais tarde me disseram que era uma espécie exótica. Descemos no Centro de Visitantes do lugar e eu não simpatizei imediatamente com o lugar. Só passei por um corredor com as portas fechadas e me pareceu desagradável. Recebi ali o caderno de campo e logo fomos embora de ônibus para um prédio onde assistimos uma palestra sobre a Floresta Nacional de Ipanema (FLONA). A mulher que ministrava a palestra falava muito rápido, como se já tivesse dito aquilo tudo muitas vezes e tivesse decorado tudo. Senti dificuldades de tomar notas, até porque eram muitas informações, conceitos novos, números e datas.

 Saindo dali fomos para o prédio onde ficamos alojados à pé, e me senti mais em paz. Fiquei ouvindo junto com algumas colegas o professor Hiakuna tocando violão e me senti feliz por estar ali.

 Enfim, chegou a hora do almoço. A comida estava muito gostosa!! Após, saímos aproximadamente às 2 da tarde para conhecer o Sítio Histórico. Entramos numa casa que no começo estava toda escura e por isso me assustou, mas o medo passou quando subimos para o andar de cima, já que lá era claro e arejado. A paisagem da janela era linda, e o instrutor simpático. Ele falou várias coisas, entre elas que o lugar era tão arejado daquele jeito por causa da deficiência da medicina da época em que aquela casa foi construída. Achei tudo muito interessante, mas nem consegui tomar notas de tudo.

 Depois fomos aos porões da construção, onde ficavam os escravos. O lugar era realmente horrível: escuro e sombrio. Passei muita raiva mesmo de ver o que faziam com os negros no passado, nojento e totalmente revoltante!!! Achei que depois de estudar muito o assunto aquilo não teria forças para me chocar mais, mas estava totalmente enganada. Me imaginei vivendo naquele lugar escuro e mínimo... Tive nojo da humanidade naquele momento.

Postado por Kátia às 13h50

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Saímos dali e fomos ver a Casa das Armas Brancas. Senti medo de o lugar desabar de tão antigo, mas o teto alto e as enormes janelas me deram uma maravilhosa sensação. Aprendi como a casa funcionava quando ativa. Saindo dali havia uma cachoeira que ficamos observando. O cheiro me lembrava o oceano e pequenos pingos d’água me acertavam enquanto eu ouvia o som das águas caindo. Não achei a própria cachoeira particularmente bonita, mas a ponte sobre o rio me encantou. Levar a câmera fotográfica foi útil para eu perceber que certos ângulos são mais apropriados para se admirar a beleza das coisas. Procurá-los é um desafio interessante!!

 Voltamos para o Centro de Visitantes, e dessa vez ele não me pareceu desagradável de jeito nenhum. Ainda não estou entendendo como posso não ter gostado daquele lugar logo de cara, o que será que causou aquela impressão ruim? Ali aconteceram coisas legais, conversas, brincadeiras com o estranho cachorrinho do local...

Voltamos então para os alojamentos, onde jantamos e alguns de nós assistimos TV. Estranhei bastante a programação da TV local! Mas agora, precisamos ir dormir.

Postado por Kátia às 09h51

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·                   26/09/2006

 

Hoje foi mais um dia cheio de novidades. Acordei as seis e quarenta e cinco da manhã, embora só tenha me levantado às sete e meia, pois estava – e estou – muito cansada. Sou mesmo muito dorminhoca, ontem fui a primeira a ir dormir, hoje a última a levantar, e talvez a única a ir dormir depois do almoço.

 O café da manhã estava uma delícia!! Após, fomos de ônibus visitar o assentamento dos ex integrantes do MST. Começamos bem, sendo recebidos por um senhor que respondeu numa palestra quase todas as perguntas que tínhamos formulado em São Paulo. Depois, Fomos a pé visitar as casas dos assentados, todas muito distantes umas das outras, nos grupos do Trabalho Coletivo.

Na primeira entrevista, fomos recebidos por uma senhora que num primeiro momento disse estar com pressa. Concordamos em fazer a entrevista rápido, mas a pressa daquela senhora não era a pressa dos paulistanos: ela não falou rápido, nem foi mal-educada, nem ficou olhando para o relógio. Parecia tranqüila. Então nós mesmos tratamos de ser breves.

Não fiquei satisfeita com apenas uma entrevista e incentivei o meu grupo a irmos no lote mais próximo fazer pelo menos mais uma. Tivemos que andar muito, e de fato fomos o grupo que foi mais longe, mas compensou.

No segundo lote que visitamos morava uma moça chamada Vanessa. Ela foi muito hospitaleira e passou quase meia hora conversando conosco. Mas teríamos ficado mais, caso não tivéssemos hora marcada para voltar para o ônibus. Quando voltávamos da casa dela, nosso ônibus, o pontinho amarelo ao longe, parecia inalcançável!!!!!! Sorte que foram nos pegar!! A Aline nos lembrou que não estávamos passando um terço do que as pessoas que moravam ali tinham que passar todos os dias.

Voltando aos alojamentos para almoçar. Que bom, eu estava realmente faminta! Quando o almoço terminou eu juntei o cansaço e a barriga anormalmente estufada e fui dormir. Acordar eu acordei a tempo da próxima atividade, mas eu me sentia muito fraca e passei o caminho inteiro lutando no ônibus para não voltar a dormir.

 Descemos no começo da trilha Affonso Sardinha e o passeio foi muito agradável, apesar de que eu não vi nenhum animal, exceto por algumas borboletas. Nunca tive tanta vontade de fazer Biologia na faculdade, e se as atividades aqui na FLONA continuarem assim interessantes acho que é isso mesmo que eu vou fazer!!!

No caminho, vários sentimentos se misturaram em mim, como uma vontade imensa de fazer alguma coisa para ajudar a preservar a natureza que, para minha indignação, está sendo destruída. Descendo de índios por parte de mãe e pensei nas minhas ancestrais. Como elas viviam? Como seria morar ali? Nem consigo imaginar.

Depois voltamos para o alojamento, para tomar banho e preparar o jantar. Fiquei encarregada de lavar a louça. Outro dia exaustivo, estou feliz de poder ir descansar agora.

Postado por Kátia às 09h50

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·                   27/09/2006

 

 Hoje foi um dia um pouco mais tranqüilo na minha opinião. Fomos à cidade de Araçoiaba da Serra, pequena mas agradável, achei muito bonitinha! Minha tarefa era entrevistar, algo que eu não gosto muito de fazer. Andei bastante na cidade inteira e conversei com bastante pessoas, sempre homens, mas acabei levando uma negativa de um homem desagradável. Também comprei um sorvete gigante sem pagar quase nada, estava muito bom!!

 Voltei então para o ponto de encontro que havíamos marcado, mas ainda faltava muito para a hora de ir embora para o alojamento. O professor Fernando estava lá, avisando para os alunos como chegar à lagoa da cidade. Lembrei que vários entrevistados e também os instrutores haviam falado dessa lagoa e achei interessante conhecê-la pessoalmente.

Chegando lá, encontrei uma mulher pescando. Fiquei chocada, pois já tinha ouvido várias reclamações sobre despejarem esgoto naquelas águas, então fui conversar com ela. Queria saber se as pessoas que moravam naquela cidade sempre pescavam ali. Ela disse que sim, mesmo que soubessem que jogavam esgoto ali, e que ninguém nunca adoecia por isso. Perguntei se o que era pescado ali era vendido, mas ela disse que ali só se pescava para consumo próprio. Ela comentou que ali já haviam acontecido acidentes e que pessoas morreram naquela lagoa.

Tentando com esforço mas não conseguindo não imaginar que o peixe que ela comia poderia talvez ter se alimentado de um corpo humano em decomposição nas águas, resolvi conferir eu mesma se não ocorriam doenças por causa do consumo daqueles peixes. Andei um bom pedaço dali até o posto de saúde do lugar, que todos os entrevistados haviam criticado, e perguntei se ali já tinham recebido pacientes com problemas de saúde por causa de problemas com poluição da água. Me disseram que isso nunca tinha acontecido, mas que eu deveria ir no prédio da Vigilância Sanitária ao lado para confirmar. Lá também me disseram que não passavam por esse tipo de problema e eu fiquei sem saber o que pensar, pois um entrevistado havia dito que às vezes as pessoas tinham problemas de pele por nadar naquela lagoa.

Voltamos para o alojamento, almoçamos e fomos fazer a trilha da Pedra Santa. Achei tudo muito lindo, e foi muito divertido! Acho que o melhor momento da viagem até agora foi quando chegamos ao primeiro mirante... lindo, lindo, LINDO! Inesquecível!!!

Quando finalmente chegamos ao segundo mirante já estávamos muito cansados. Era muito alto, e eu não me senti bem. A vista era lindíssima, mas a sensação de fraqueza tomou conta: inexplicavelmente, eu achava que ia cair!! Mesmo sabendo que isso praticamente não era possível, fiquei paralisada. Demorei para conseguir coragem para descer dali. Diante do cansaço que a subida provocou, nosso discreto ônibus amarelo foi uma visão reconfortante! Eu mal tinha me sentado no que me pareceu o assento mais confortável do mundo quando alguém falou que poderíamos voltar a pé, se quiséssemos. Não pensei duas vezes: já estava quase escuro, ia ser emocionante!!

Foi mesmo muito legal, o céu estava esplêndido e eu pude conversar bastante com os instrutures e aprender muitas coisas legais com eles. Aliás, nós conversamos muito em todos os momentos da viagem e eles são pessoas muito legais com quem eu gostei bastante de conviver.

Quando chegamos ainda tivemos que esperar um pouco pelo jantar. Depois de comer nos reunimos em volta de uma fogueira, onde ficamos cantando, tocando violão... foi muito bonito, muito agradável, e novamente aprendi um monte de coisas maravilhosas.

Foi um momento totalmente mágico!!

Relutei bastante mas acabei saindo dali, para ver o que estavam fazendo dentro do alojamento: uma baladinha... dancei um pouquinho e agora vou dormir.

Postado por Kátia às 09h48

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·                   28/09/2006

 

Hoje é o nosso último dia na FLONA, apesar de que eu ainda não estou acreditando muito. Voltamos a Araçoiaba para fazer mais entrevistas. A Aline e eu ficamos entrevistando homens bêbados num bar, e eles nos ensinaram muito!! Falamos de muitos assuntos e aprendemos o que estava faltando saber sobre a cidade. Então voltamos para o alojamento, fiquei sentida de não ter feito compras na cidade.

Na hora do almoço, estávamos todos assustados com a idéia de ter que voltar ainda hoje, e com a dificuldade de fazer as medições encomendadas pela professora Cláudia. Foi muito difícil! Meu grupo não conseguia chegar a resultados plausíveis.

Depois de algumas confusões para arrumarmos as malas, partimos de volta para casa. Estou no ônibus agora, sendo recebida pela minha amada cidade natal por um dos problemas que melhor a caracteriza: o trânsito!! Se não fosse por ele, eu ainda estaria me sentindo em Iperó com certeza. CASA! Amo todos os defeitinhos desse lugar!!!

Conforme as coisas vão ficando mais familiares para mim, estou ficando empolgada com a idéia de rever as minhas amigas, contar as novidades para todos, usar meu computador... gostaria que todo o trabalho que me espera agora que a viagem está terminando seja tão divertido quanto a viagem em si. Foi muito bom! Valeu!!!

Postado por Kátia às 08h45

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26/11/2006 a 02/12/2006



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Nome: Kátia Gomes da Costa
Idade: 15
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Estuda no Pioneiro há: 1 ano